Relato do meu PARTO!




Foram nove meses de gestação e Maria nasceu a termo. Estava prontinha e eu aguardava o tão sonhado parto normal. Ao longo da gestação eu me sentia a mulher mais poderosa e dona de si que poderia existir. Tudo em mim melhorou. Meu cabelo cresceu, minha pele aveludou, meu corpo recebeu as melhores curvas, minha auto estima estava nas alturas. Eu curti cada momento. Embora tenha convivido com uns altos e baixos também. Enjoei um pouco e tive muita azia, perdi algumas noites de sono com as idas exaustivas ao banheiro, tive a síndrome do carpo e engordei 16kg, o que eu ADOREI! Rsrs. Com a proximidade das 39 semanas e meia, fui submetida a uma ultra-som de emergência, quando fui informada sobre a impossibilidade do parto normal devido a pouca quantidade de líquido. Nessa oportunidade, voltei ao hospital com o laudo e fui internada. Me lembro bem desse dia, do susto e da mistura de todos aqueles sentimentos que envolviam ansiedade, tristeza, alegria, medo e um certo alívio também, pois já não era tão fácil carregar aquele barrigão naquela altura. Internei na quinta-feira às 21hrs, quando entrei em jejum até o outro dia. Lembrando desses momentos agora, vejo o quanto foi crucial o apoio do meu marido que, desde a descoberta da gravidez, foi presença e suporte constantes. Minha mãe também não ficou atrás, essa estava mais ansiosa que eu, rs. Por volta das 10 horas da manhã começaram os preparativos para cirurgia e, com eles, a minha preocupação com a cesariana, já que o pavor da anestesia sempre me acompanhou. Quando fui chamada para o centro cirúrgico, eu só sabia rezar. Entrar naquela sala verde, cheia de aparelhos e aguardar a anestesia, numa mini -cama, não foi fácil. Fui anestesiada ao passo que aguardava pela equipe médica e por meu marido, até que senti o corte. Gritei de dor, eu sentia que algo estava errado. A médica perguntou, mas continuou com o procedimento. Eu nunca imaginei senti tanta dor. Eu gritava e pedia para me apagar. Minha pressão caiu, eu sentia falta de ar e Maria não vinha de jeito nenhum. Eu clamava para acabar com aquela dor. Não tive aquele momento mágico no parto de registrar o momento. Não teve foto. Eu chorava e meu marido estava apavorado por me ver sofrer daquele jeito. Nos últimos instantes dessa aflição, minha Maria veio ao mundo. Só pude olhar pra ela por segundos, até me apagarem. Foi difícil, mas eu superei. Superei por que um dever maior me esperava do lado de fora. Depois de apagada a gente perde a noção do tempo. Voltei ao apartamento com muitas dores e, apesar disso, eu só sabia pensar na minha filha. Ali eu me via MÃE. Meu desejo era ter em meus braços o fruto do amor, o presente de Deus para nós. E assim foi. Ela chorou e eu a pus nos meus braços. Era o nosso momento. O colostro já existia desde o 7 meses de gravidez, assim, não tive dificuldades para alimentar a cria, rs. Naquela hora eu já não me lembrava dos momentos de dor e aflição vividos no centro cirúrgico. No meu peito só cabia amor. Eu era MÃE e me sentia como uma leoa. O instinto de proteção já aflorava. Ela em meus braços cheia de saúde. Isso que importava! Éramos somente nós e todas as descobertas e aventuras que nos aguardavam. Carrego comigo o trauma do parto doloroso, logo eu que quero ter mais filhos passei por isso! Mas ainda assim, se for para viver a emoção que não tem preço, eu viveria tudo outra vez. A maternidade me transformou, hoje vejo o mundo de outra forma. É Padecer no paraíso, sim! É não dormi mais as noites. É andar feito zumbi pela casa. É perder quase todos os fios do cabelo e a pele não ser mais a mesma, é ter um seio maior que o outro e saber que uma hora ele vai cair, rsrs. Eis aí a diferença da gravidez e do pós parto. Uma hora você se sente diva, maravilhosa, mas depois essa realidade dá lugar a uma pessoa sem tempo e preocupação com a aparência, afinal, ser mãe exige que sua atenção e cuidados se direcionem para o filho de uma maneira que tudo mais se torna segundo plano. Todo o restante pode esperar e a gente lida com isso com alegria, porque não trocaria essa fase por nada na vida! Eu sou MÃE! E esse sentimento e experiência impagáveis me tornam a mulher mais poderosa e feliz que existe!








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